Post feito em meu outro blog da internet, o Eu Mauro MS, antigo Koisas e Coisas, do Blogger, pois hoje estou olhando uns posts por lá, a procura de um em especial, e deu vontade de recordar alguns, no momento este.

Todos os dias passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás.
O pessoal da Alfândega – tudo malandro velho – começou a desconfiar da velhinha.
Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da Alfândega mandou-a parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou-lhe:
– Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todos os dias, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?
A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros que adquirira, e respondeu:
– É areia!
Aí quem riu foi o fiscal.
Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.
Mas o fiscal ficou desconfiado. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com droga, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia. O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.
Foi aí que o fiscal se chateou:
– Olha vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com 40 anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando para burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.
– Mas no saco só tem areia! – Insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs: – Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias…
– O senhor promete não fazer nada? – Quis saber a velhinha.
– Juro – respondeu o fiscal.
– Faço contrabando de lambretas!

Texto:Sérgio Porto

O autor era mais conhecido por seu pseudônimo Stanislaw Ponte Preta. (Wikipedia)

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